sempre fui chegado em esportes radicais... por consequência, posso dizer que sempre tive uns parafusos frouxos... curiosamente, por outro lado, nunca quebrei um osso do corpo... cortes, torções, pancadas e pele lixada no asfalto já são outra discussão..
e o assunto aqui também é outro... desabafo contra uma "catiguria" que não tem nenhum controle ou regulamentação a não ser um exame de detran... sim, to falando de caminhoneiros...
difícil criticar sem soar preconceituoso, mas a fckng-raça bem que anda merecendo uns corretivos... os caras atravessam estradas e mais estradas completamente impunes em suas "agressões" de trânsito, sem a menor cerimônia...
tô cuspindo isso pra fora porque ontem fui literalmente jogado pra fora da estrada por um desses artistas da boléia... o cara deve ter pego um traveco em beira de estrada que dormiu de calça jeans, ou perdeu um cd do zezé de camargo e luciano (mas aí pode ter sido intervenção divina) ou de repente foi obrigado a cortar aquela unha preta do dedinho que tanta utilidade tem pro dia-a-dia... não sei, mas de bem com a vida o sujeito não estava...
vinha eu cantarolando ao volante, contente e feliz, com febre e garganta fechada, uma reta maravilhosa ao final de uma boa descida... o cara trafegava mais à frente em velocidade reduzida na faixa de esquerda, ninguém na frente dele... mas pra que dar passagem aos coleguinhas, não é? bobagem, é tudo meu, a bola é minha, o apito é meu, só eu brinco...
depois de bons minutos esperando a simpatia dar passagem na pista da esquerda, sem incomodar, sem piscar farol, sem buzinar, movimentei meu carro para o lado direito, pra ver se tinha alguém à frente do infeliz e, well, não tinha... calmamente então mandei pra faixa da direita e acelerei...
qual não foi minha surpresa ao ver o caminhão jogando a delicadeza paquidérmica toda pra cima de mim... como tenho sangue frio e não me assusto com latido, continuei tocando pra frente, imaginando que seria apenas um "sustinho" que o desgraçado queria me dar...
mas aí a pista foi espremendo, os veículos foram ficando colados, já não passava nem vento entre meu retrovisor esquerdo e o caminhão... mas o cara continuava vindo pra cima... nesta hora então eu soquei a mão na buzina e o atrevido deu um golpe mais violento no caminhão, como se fosse um peteleco num mosquitinho preto que zunisse na orelha direita...
fui jogado pra fora da estrada, numa área com terreno irregular e levemente inclinada que, por sorte não tinha lombadas de terra.. do contrário tinha virado filme americano com carros dando piruetas laterais no ar... se eu tivesse freado, não tava aqui digitando bobagens... teria rodado e abraçado algumas árvores de frente...
o nervo dos esportes radicais me fez atravessar terra e mato em velocidade, suportar a trepidação em beat de coqueteleira e voltar pra pista... e é aí que começou o pior dilema da conversa... o que fazer agora? hein? hein?
várias cenas de filme passaram na minha cabeça... desce do carro e chama o caminhoneiro no box... dá um cavalo da pau no meio da pista, saca a automática e descarrega a fúria jack bauer no sujeito... acelera forte e desaparece na estrada pra esperar o cara na outra curva com uma bomba mcgyver feita com garrafinha de gatorade uva, chiclete de canela, uma caneta bic, moedas e uma pilha AAA... o repertório de impropérios foi despejado automaticamente e involuntariamente assim que voltei pro asfalto, mas isso era pouco...
não, não... na verdade o que mais deu vontade foi encarnar mad max, pegar uma "gaiola" assassina daquela e acelerar de frente pra ele... nem michael douglas no seu dia de fúria teria maior diversão..
enfim, é a vida.. depois deste incidente eu ainda consegui colocar uma caravela dentro de uma garrafa, fazer uma cirurgia de cérebro, desativar uma bomba relógio e pregar 18 botões de camisa... e sem ajuda da jujuba... well, acho que passei no teste de nervos...