19 de fevereiro de 2008

fever

febre faz umas coisas engraçadas com a gente, não? será que é possível que uma febre seja boa??? que perguntinha, fala a verdade.... mas to dizendo isso porque nos últimos dois dias venho ardendo em febre por conta de uma gripe muito mala, mas num ritmo de trabalho alucinante... apesar do corpo meio pudim, a pilha tá aguentando...

claro que tive que recorrer a um coquetel de drogas leves e pesadas... nessa manhã caí pra dentro de um mix generoso de jujuba, vic diasyl, halls de melancia, naldecon dia e noite, morfina, dorflex, rivotril e novalgina... é claro também que durante um período, isso me caoiousou ummma cgerta dificuldfdade em esnncreverf...

bobagens à parte, esse período vem sendo recheado de boa música, com certeza! trilha sonora pra mim é uma coisa que não falha... em função de um pedido do mauval pra participação no programa ronca ronca, acabei passando boa parte desses momentos febris de delírio de trabalho com a voz de jeff buckley como pano de fundo... e o blog acaba recebendo parte dessa lisergia sonora...

a parada do ronca ronca é um especial (recomendo, imperdível!) sobre bob dylan, no dia 4 de março, às 22 horas.... vc pode ouvir também pela internet, olha que beleza (www.oifm.com.br)... e lembrei de umas coisas do jeff com músicas de bob dylan.. releituras pra lá de interessantes... ou "cascudas", como diria o guerreiro maurício valladares....

enfim, pra saber quais as minhas indicações de releituras do dylan na voz do finado jeff buckley, só ouvindo o programa mesmo... ou vc acha que eu iria estragar a surpresa? fala sério...

mas pra não ficarmos órfãos demais aqui no blog, adoce seus ouvidos com o som abaixo... jeff buckley sempre tem seu lugar... mojo pin...

15 de fevereiro de 2008

"pontualidida"

amigos que trazem conselhos pontuais...
que sabem ser amigos de verdade...
e verdadeiros no gostar...
a diferença da vida...

"... não te irrites, por mais que te fizerem...
estuda, a frio, o coração alheio.
farás, assim, do mal que eles te querem,
teu mais amável e sutil recreio..."
(mario quintana)

12 de fevereiro de 2008

whatever

tem dia que a gente deveria mesmo ter ficado na cama... evita enxergar tanta coisa... aí me veio um dos tantos flashbacks londrinos que tenho frequentemente, e, claro, a trilha sonora...

claro que os beatles são os beatles e não tem discussão à respeito. mas tem uma versão dos beatles que o the vines se "atreveu" a fazer e, surpresa, ficou muito legal. tô falando da música "i'm only sleeping". ela faz parte do álbum "revolver", de 1966, época em que os "fab four" começaram a explorar novas sonoridades, muitas pirações em estúdio, novas linhas de composição, arranjos, enfim, soltaram o freio de mão e atravessaram de vez a avenida do ieieiê.

do rock de liverpool, os caras passaram a flertar com a música indiana (entraram numa onda de um guru picareta pouco depois), george harrison começou a colocar as manguinhas de fora e a ganhar espaço dentro das composições. os caras entravam em experiências com psicotrópicos (lennon dedicou a música "dr. robert" ao seu "dealer") e dessa vibe vem também a preguiçosa "i'm only sleeping". o humor sarcástico típico de john lennon, numa manhã bem lazy "stoned" day. trilha sonora perfeita para aquela manhã em que a cama era o melhor remédio pra tudo na vida.

mas... bem... corri pra longe do assunto... tudo isso pra falar que os australianos do vines tiveram a manha de encarar uma releitura de beatles (isso corre sempre o risco de soar sacrilégio) no disco da trilha sonora do filme "i am sam". disco aliás recheado de coisas boas. after all, we're talking about the beatles.

11 de fevereiro de 2008

conselho eletrônico de uma fadinha

"...a coisa era limpa: como se tratava de uma pessoa, então o limpo resultado fora cumprir a experiência de não poder. pareceu-lhe mesmo que poucas pessoas haviam tido a honra de não poder. pois, numa sensação genial, nascida talvez da sua dor, ele soube que o resultado mais acertado era falhar... mas falhara? porque a compensação também era fatal. pois, num equilíbrio perfeito, acontecia que se ele não tinha as palavras, tinha o silêncio. e se não tinha a ação, tinha o grande amor. um homem podia não saber nada; mas sabia como se virar, por exemplo, para o lado do poente: um homem tinha o grande recurso da atitude. se não tivesse o medo de ser mudo..."
(clarice lispector)

10 de fevereiro de 2008

thorn in my pride

wake me when the day breaks
show me how the sun shines
tell me about your heartaches
who could be so unkind?

rock lobster

inspiração do social, daqueles momentos em que o cantinho do balcão com marcelo e ernesto rende boas conversas sobre música… entre uma novidade e outra, o playlist acaba trazendo uma coisa das antigas… well, well... after all, relembrar é viver...

e a boa notícia é que a psicodelia new wave do The B52’s está de volta com novo single na praça, a música “funplex” (que dá nome também ao disco, com previsão de chegar às prateleiras de uma loja mais próxima de você no dia 25 de março). o single teve lançamento digital no último dia 29 de janeiro. coisas da vida moderna. cd tá virando artigo de coleção do avô.

nada impressionante, nada de novidade, mas como é bom ouvir os riffs da guitarra dos caras, em meio à tanta chatice e charola do hip hop e r&b americanos dos últimos tempos. fala a verdade, quem é que aguenta tanta avalanche de gemidos, orgasmos fakes e vocalizes intermináveis da safra perua mutante tipo rihana+hiena+muito+chata+beyoncé+mais+ainda que se procria no mainstream em velocidade espantosa?

tudo bem que nos últimos tempos o The B52’s flerta muito mais com o pop do que a tradicional birutice que exploravam no final dos anos 70 e começo dos 80. tudo bem também que já não contam mais com a guitarra de rick wilson, irmão da vocalista cindy wilson e principal responsável pela lisergia fuzz elétrica que embalava a música do grupo (ele morreu em outubro de 1985, em decorrência da aids). mas e daí? se você prefere o dueto chá com leite de shakira com beyoncé, pra que perder tempo com esse papo? procure um psiquiatra, não esse blog. ou vá ouvir a mix fm.

no entanto, se você tomou todas as vacinas na infância e está imune ao beat “breggaenights geme-geme, uhhh”, a receita de hoje é revitalizar o pulso sanguíneo com o hit “rock lobster”, primeiro grande single do grupo, combustível também para o primeiro álbum dos caras (The B52's), que saiu em 1979. vai por mim, essa música faz o pé balançar... play it again, sam...

9 de fevereiro de 2008

versus

um buscou parceria, o outro buscou abuso.
um buscou ideal, o outro buscou estepe.
um buscou afeto, o outro buscou aspirina.
um buscou caminho, o outro buscou desculpa.

um buscou desejo, o outro buscou fantoche.
um buscou cumplicidade, o outro buscou revanche.
um buscou lealdade, o outro buscou delivery.
um buscou vivência, o outro buscou superfície.

um buscou encanto, o outro buscou brinquedo.
um buscou reflexão, o outro buscou futilidade.
um buscou futuro, o outro viveu pretérito.
um buscou vida, o outro esconderijo.

um buscou respeito, o outro vaidade.
um buscou ouvir, o outro machucar.
um buscou, buscou, buscou e buscou o outro...
olhou bem, só não encontrou mais nada.

perna curta também causa tombo grande.
delírio é dedicar amor à uma mentira.
mas downhill tem fim e se termina em pé...
far away.

arerê

carnaval é uma época maluca. em meio à uma sociedade de machos, curioso é que a maioria deles curte mesmo é se vestir de mulher. drags de braços peludos, montadas como bailarinas, domésticas, enfermeiras... pança pra fora, com mamadeiras de cevada penduradas no pescoço e uma alegria incontrolável por soltar tanto a franga sem culpa.

por outro lado, programas de televisão levantam discussões sobre o que é absurdo no carnaval e uma jovem questiona porque ela não pode fazer topless no rio, já que as mulheres desfilam com os peitos de fora na sapucaí. minha filha, dizia a repórter, putaria tem lugar certo. e vamos combinar, brasília e a marquês de sapucaí. praia é para família. algumas pessoas escolhem também o local de trabalho pra putaria, mas aí é outra discussão.

ah, não esqueçamos os blocos de rua. e a onda voltou com força total no rio. nomes inusitados, gente bonita e descolada e o beat incessante “quem lavou minha cueca pra fazer pano de prato”. na bahia o carnaval é hora de ganhar dinheiro. vc compra um mercedão usado, enche o tampo do baú com caixas de som e chama uma monte de gente pra ficar seguindo vc pelas ruas. e ainda fatura uma grana alta vendendo pedaços de pano colorido que o povo faz questão de vestir. aí é só deixar eles bem presos por um cordão de isolamento e tá feito.

ali mesmo eles beijam, gritam, mijam e sorriem sem parar. a música hoje é o de menos. até nx zero agora participa de shows de carnaval em salvador. e daí nasce um híbrido de axé com emo: o “axémo”... jovens com a franja caíndo pelo rosto, vestindo mortalhas negras, um sorriso esquisito, meio cara de choro non-stop, rodopiando os braços durante a coreografia do arerê. e o fim da festa fica por conta do fatboy slim, como de costume.

e aí, lança-perfume vira coisa de titio saudosista. no carnaval de hoje, o “péum-péum” vem de psicotrópicos sintéticos. antigamente a gíria era “brincar” o carnaval. hoje é cair pra dentro.