cá estamos reunidos novamente, desta feita para um relato sobre o show do keane em bh (12/03 - chevette hall). não imaginei mesmo que o evento estaria bombado de público, até porque nunca se sabe… o comportamento do povo pode surpreender numa atração areia movediça com lotação de casa, ao mesmo tempo que se encontra bandas realmente legais de ver ao vivo com resposta de público tipo “ah tá, tô te olhando daqui nego, vai lá.”
não foi o caso do keane. não tava lotado, mas pista praticamente ocupada no chevrolet hall, uma boa galera nas arquibancadas tb. se você não é do tipo que esperneia ou sofre de pití gay, também apreciaria o show no conforto, sentadinho, tomando seu copinho de plástico.
pois muito bem… só pra registrar logo, o menino canta que é um capeta. tom chaplin é o nome. criado em cidade do interior (battle, sudeste da inglaterra, tipo 1 hora e meia descendo de londres), com castelinho e tudo mais, clima sachê do campo, tinha muita vaca pra ele gritar e recolher do pasto quando era menino… ele realmente joga a voz lá na estrada. fala alto. deu uma polida numa bela escola de canto lírico e foi desmamado com piano. não é um cantor de rock, é o sujeito pra cantar afinado. nada de espernear, sem gritaria histérica, sem falar rouco. não é insano, é açucarado.
tomada um. show de menino bom moço. pelo menos é o que chaplin cria no palco. o menino é o cabeçudinho-feinho-mais-bonitinho do momento, como pude reparar pela histeria de progesterona na pista. um dengo, fica até corado nas buchechinhas, veja só vc. ow, c'mon teddy bear... nem parece o sujeito que encarou rehab de karatê boliviano há pouco tempo.... no, no, no... fica lá pululando pelo palco, sim, ele e sua capa de couro dourada… e camiseta listrada do calvin… sessão desenho, cativa as meninas, arranca gritos, chega a cara bem pertinho do público, agachando na beira do palco. não fosse um show de família, levava uma calcinha na cara. uma não, várias... sim, tinha vovô, pai com filha de 16 anos, trintões descolado… tinha de tudo... no entanto nada daquele bando de roqueiros fãs de balbúrdia… nosso amigo tom bebe na fonte de julio iglesias, faz charminho, fala frase em português, elogia tudo e todo mundo, ó noite magavilhosa, blábláblá…
se depender dele, aluga um apartamento na savassi e não sai mais de belo horizonte. vocês são uns amores, cheio de gatinha na beira do palco, ô que beleza estar aqui com vcs. inegável que o script é perfeito. mas não se iluda, o bom moço joga essa pra cima de todas. muda é o endereço.
tomada dois. a turnê chama “perfect symmetry”, nome do recente disco, e justifica o título. o show de bh é sem tirar nem por o show que fizeram nas cidades anteriores, rio, sp… mesma sequência, mesmo roteiro, coreografia, mesmos truques. replay simétrico. tudo redondinho, equipe técnica funciona que é uma beleza, luz bacana, som redondinho, bem executado, “cdzinho”. e “tom iglesias” conduzindo o público. mesmo. levantou a galera. povo cantando junto o tempo todo, tira o pé do chão, bate palma e vamo aê... a diferença é que vc não tá na frente de um bambolê que canta axé desafinando porque compete com ar rarefeito. tom chaplin canta e canta mesmo. alinhado e balanceado, sem derrapar, sem cantar pneu.
tomada três. a banda não faz por menos. o trio acoplou na turnê um baixista-toca-tambor-toca-barulhinhos-e-chocalho, o baterista leva umas faixas também sentado num “cajón” (aquela caixa de madeira que parece de engraxate), deu uma onda bacana… e tinha ainda o schroder, sim, schroder estava lá… aquele pianista doido-geek do desenho do snoopy, marretando os dedos em três teclados diferentes durante o show. o nome do cara é tim rice-oxley. nego balança os braços, canta os backings e se emociona. e vai descendo a marreta no pianinho, faz bonito pra amada lucy. repertório da apresentação passeia por todos os hits do grupo, povo canta tudo. até o que não é hit. bizarro foi ver o "corinho" dos fãs, gritando niponicamente "ki-ní, ki-ní, ki-ní"...
tomada quatro. curioso ver como são os shows de hoje em dia. reflexos da vida moderna. a zona do gargarejo agora parace um almofadão coberto de grilos. a luz baixa e você vê um colchão de luzinhas de tela de celular ondulando em frente ao palco. neguinho passa o show inteiro gravando e depois “posta” o vídeo no youtube, blog, flog, plog, tlog… momento "recordar é viver" agora não conta mais com aquela foto cinza que vc puxa de dentro do álbum bolorento. agora é colorido milionário, cristal líquido josé rico, com áudio, 5 mega píksels.
tomada cinco. tudo bem, o show transcorre todo nos conformes, você já está convencido de que o teddy bear canta mesmo. aí o keane ataca a cover de “under pressure” do queen. vamos combinar que a gente tá falando de freddie mercury e david bowie nos gogós. são dois falcetes de muita responsa pra vc dar garantia. e o menino vai e manda bem de novo. desgracento. sobe e desce a voz, estica a nota até o sininho da goela vibrar um diapasão, sabe respirar… pressure! pelo menos desse aí freddie mercury escapou, suspende a aspirina. rolou até um sorrisinho de canto de boca dentro do caixão.
tomada seis. well, well.. tá bom né gente? tudo bem, eu sou é da turma que gosta do bom show de rock, mais zangado, mais veneno… mas realmente foi um bom show, titio assistiu tudo lá de cima na outra ponta do ginásio, frente pro palco, longe da galera, sentadinho, numa tranquila numa relax numa boa. devo muito pela companhia do fábio da assessoria, bom guerreiro… além de concordar com ele de que ali é o melhor lugar da casa pra assistir show, digo isso porque a “lôra” do meu lado só não soltou o freio de mão e caiu também na histeria de fãzoca porque ficou encabulada. fábio foi meu escudo, santa presença. estivesse eu sozinho, ela teria berraaaaado o bendito show inteiro, ainda mais na hora que teddy bear deita no palco e canta romântico. cabeçudinho tem ibope e carisma. mais uns poucos anos de estrada, alguns shows de roberto carlos no currículo e tá dominado o caldinho do doce de keane de açúcar.
sobe créditos. realmente as devidas congratulações pro chevrolet hall. eu sou enjoado, exigente, reclamo mesmo. mas os caras trocaram a sonorização do lugar, tudo zeradinho, upgrade no equipo de som. gol de placa nesse show. pelo menos lá em cima o som tava matador.
abre quadro pra cenas de erros de gravação. tá bem, eu quase enfartei o produtor executivo da banda. o padrão, também transmitido pela produção local, era gravar as três primeiras músicas. e assim foi. ou melhor, seria. na metade da segunda música do show, aparece uma lanterninha lá de baixo da pista jogando luz na câmera e piscando como se eu fosse tradutor de código morse. chegou num ponto de irritar e o colega "ouviu" (lá de baixo não ouviria mesmo) alguns impropérios do meu repertório. o cara sinalizava alguma coisa, mas não entendia que colocando a luz na minha cara eu não via nada do que ele gesticulava lá de baixo... instantes depois aparece um girafalhes britânico e sua lanterna ninja mandando desligar a câmera na segunda música. todo “red bull”, a santa... "sorry mate, just two songs, just two songs". fazer o quê, eu desligo… mas não adianta ficar suingando essa sua lanterna de longe. vai ter que subir toda a escadaria sim, queimar suas fckng dobrinhas de cevada sim, e vir pedir pessoalmente. na boa educação que reza a cartilha britânica: “oooooi mate! shut the bloody off!!!”… c-a-l-a-r-o, titio… "no worries, off indeed", retruquei. "so you go downstairs now, yeah?", ele mandou. "ow, hohohow... sorry mate, but i'm really gonna stay up-bloody-here"... freddie mercury não foi o único com sorrisinho de canto de boca.
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