12 de julho de 2009

ajoelha e reza...

matéria no guardian londrino traz uma pesquisa que aponta o novo bicho-papão da indústria da música: o adolescente. o número de downloads ilegais vem diminuindo consideravelmente após ameças do governo, mas o jovem passou a buscar outro recurso pra curtir a música sem precisar comprar: o tal do streaming.

segundo a reportagem, adolescentes entre 14 e 18 anos estão entre os maiores usuários de streaming de música. sai o "filesharing", entram os sites de streaming como myspace e youtube. essa notícia deveria fazer os executivos das gravadoras darem pulos de alegria, e os mais espertos já devem ter entendido que tais "novas mídias" são ferramentas poderosas de divulgação.

claro que isso não representa uma recuperação imediata dos níveis de venda. baixa na pirataria não quer dizer necessariamente reaquecimento do cd. e isso nem vai acontecer assim facilmente. estamos entrando numa era em que é preciso redoutrinar mercado e consumidores pra um novo formato de negócio digital. achar que as gravadoras vão vender cds como antigamente é delírio e utopia. é o famoso "que tempo bom que não volta nunca mais".

é preciso agora criar novos hábitos, estimular novos comportamentos de compra em lojas virtuais, baixando faixas avulsas com preços justos e coerentes. se isso é bem trabalhado, bem divulgado e honesto, o mercado reaquece. o problema é lidar com a ganância das gravadoras. o lucro diminuiu e neguinho não consegue se conformar com isso.

outro fator a ser considerado é que a nova realidade do mercado obriga gravadoras e artistas a melhorarem o nível dos "produtos". a exigência aumenta pra combater o pesadelo. não adianta soltar discos de 14 faixas com apenas 2 ou 3 que realmente prestam. não vai vender. e o problema não é pirataria virtual. o consumidor é que não cai mais no truque. baixa só as faixas que gosta e passar bem. se ele tiver acesso fácil e com preço justo, pode saber que o fã acaba pagando os 99 cents por faixa (isso no itunes americano). mas se complicar demais, ele vai no dreamule e baixa de graça mesmo.

outro ponto a se considerar é que um dos melhores lugares pra se comprar música via download, o itunes store, por exemplo, ainda não tem um sistema de cobrança regularizado no brasil. a apple tira o raio do DRM que limitava a execução ao itunes, mas ainda não percebeu o tamanho do potencial do mercado brasileiro. ou então desistiu de negociar com a ganância do mercado daqui.

fato é que enquanto a ficha não cai pra indústria da música, neguinho vai ter que continuar de joelhos pedindo ao time inteiro dos santos de plantão pra que o pesadelo do download ilegal acabe logo. só que a lista de remédios não termina nunca, toda hora aparece uma nova opção pra se descolar música de graça. você mata um mas aparece outro no lugar.

enfim, pra conferir a matéria do guardian na íntegra, clique aqui. recomendo.

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