20 de janeiro de 2010

once upon a time...

dias saudosistas... e aí a memória da gente se torna uma mola curiosa, rebate flashes pitorescos há muito esquecidos, detalhes hilários, alguns sórdidos, aquela sensação romântica de épocas e momentos sublimes.

tô falando disso porque tive um destes momentos... flash back de começo de faculdade, com são paulo ainda menos violenta, festas históricas e cultura de praia... um pouco mais de inocência (no bom sentido), não tinha celular, não tinha internet... desenhos em aerógrafo, as rádios eram legais (bons tempos de 89FM e brasil 2000), e o dinheiro, ainda que apertado, conseguia bancar todas as diversões... inclusive as cervejadas em mesa de truco no bar azul (lendário point da comunicação da unip luiz góes na night)...

e desse comecinho tem uma cena que não me sai da cabeça... na verdade eram trocentas variações sobre o mesmo tema, afinal foram vários finais de semana com a mesma barca...

um carro... gol plus bordeaux, andava que nem um capeta... três dementes... xande, renato e o terceiro eu prefiro não confessar.. a cena é escura, tem algum apoio da lua, uma porrada de estrelas pipocando e os faróis do carro dirigindo a história... estrada apertada, curvas perigosas e emocionantes, velocidade... sempre em velocidade... ninguém tem medo, como disse, eram três dementes... não sei explicar bem, mas essas figuras conseguiam conversar em meio ao som ensurdecedor... e normalmente passavam a maior parte do tempo dobrando de rir... ou fazendo outros rirem... status default...

o caminho de asfalto, entre barê e ilha bela (município de são sebastião, litoral norte de sp), era praticamente instintivo, um trilho que respondia ao dna das personagens... euforia e disposição pra night de ilha bela, depois de um dia deslizando a pranchinha na "pista molhada" do guaecá..

vento na cara... os faróis vão desvendando a adrenalina e fazendo a contagem regressiva pra fila da balsa... e sempre tinha fila... o mais curioso era torcer pra ter fila, justamente a oportunidade de fazer bagunça e conhecer um monte de gente... e invariavelmente era o que acontecia... já na vila de ilha bela o clima era de chegar no quintal de casa, encontrar amigos, gatinhas e rir. muito. obviamente.

e o gatilho pra tanto flash back? uma fita-cassete, sempre especialmente preparada, que marcava a trilha sonora... tipo combustível... o lema era "sem som não anda" e a regra levada ao extremo... a primeira marcha não era engatada enquanto o som não estivesse "desenhando" a trilha... e a faixa abaixo era uma das muitas pérolas que não saíam do repeat. bons tempos.

ramones
(rockaway beach)

Um comentário:

Anônimo disse...

Adorei. Até imaginei coisas...rs