6 de abril de 2011

tūrangawaewae..

muitas vezes recomeço vira uma coisa assustadora.. dá frio na barriga, a gente tem um tendência a criar obstáculos e enxergar uma lista enorme de dificuldades.. fora a preguiça de fazer um tanto de coisa de novo..

mas é aí que o engano é maior.. não tem "de novo".. tem só "novo".. alguns processos acabam sendo semelhantes, muitas rotinas são assim, por outro lado se você tem a capacidade de se apaixonar pelo novo, o que sobra é descobrir.. muitas vezes a si mesmo.. reciclar, além da convenção de politicamente correto, faz um bem danado pra nossa vibe. sair novo, é sair melhor.

hoje é dia 6, aniversário de uma das figuras mais complexas, malucas, estritamente corretas e divertidas que eu conheço (quando não acorda com o taz encarnado).

foi se aventurar entre "índios" maori, correu atrás de um projeto e tá subindo no pódio da selva.. a gente só se descobre sozinho.. só aprende nosso potencial quando busca dentro da gente.. e esses caminhos são os melhores..

veni, vidi, vici.. hail brother, o eterno george of the jungle.
keep on rockin'..

ka kite, tuakana!



(*) tūrangawaewae (maori expression) means a place to stand, a place to belong to, a seat or location of identity.

5 de abril de 2011

i see dead people..

há exatos 17 anos morria uma das figuras mais polêmicas da cena rock mundial: kurt donald cobain.. nem sei se preciso falar que o cara era o líder do grupo nirvana, um dos maiores expoentes da safra grunge de seattle nos anos 90 e que tinha 27 anos de idade (mais um pra alimentar a lenda dos grandes astros que morrem com esta idade).

acho que nem tem muito o que ficar rendendo aqui também, kurt era o modelo rebelde com sequelas de infância confusa e sofrida, abandono de pais, morou na rua, chapava até cheirando gás de tubos de creme de barba e desodorante.. pelo menos ficava com o cheiro do espírito adolescente.. além de doidão, claro.

tive uma birra crônica pelo nirvana e principalmente pelo kurt no começo da história, apesar de algumas músicas me agradarem.. mas achava que era muita vontade de "pagar" de sou maluco.. depois é que fui descobrir que ele é quem tinha uma preguiça aguda da tietagem, idolatria e "endeusamento" criado pra ele.. o menino não conseguia nem andar na rua sossegado.. e não deu conta..

a atitude insolente era pra ver se chocava a galera e cortava a onda.. kurt também pulava de ponta nos psicotrópicos pra tentar se desligar da função de "salvador".. curiosamente aí é que ele ganhou meu respeito. não pela fraqueza junkie, mas pelo desprezo do padrão paixonite com estrela.. ainda bem que lá não tinha silvio santos.. humpf..

pra piorar, o nego ainda foi cismar com courtney love, veja só.. arrumou mais problema e espanou os parafusos de vez.. acabou arrebentando os miolos em 5 de abril de 94, sendo encontrado três dias depois.

anyway, era só um rápido registro pra pontuar a data, no mesmo dia em que morreu o ator charlton heston (2008) e a arca de noé ancorou no monte ararat (segundo estudiosos, já que o tiozinho do cais tava completamente bêbado)..

nirvana
(polly)

apaga a luz na saída..

o novo disco da rapaziada do foo fighters, "wasting light", sai oficialmente do forno no dia 11 de abril, trazendo 11 faixas inéditas.. e a aposta do primeiro single divulgado na praça e nos semanários online fica com a música "rope" (clica aí no nome pra ouvir).

bom, acho que nem preciso dizer que, "óbeveu", o álbum já vazou inteiro na internet, né? aaaah, essa vida cyber moderna.. continua mandando muito executivo de gravadora pro divã..

mas sobre o disco.. well.. sorry, não foi dessa vez.. dave grohl até andou divulgando que esse trabalho vinha mais pesado, mais rock, menos focado em baladas radiofônicas e blábláblá.. porém, aaah porém, infelizmente o foo fighters traz apenas mais do mesmo.. na verdade, o correto seria "menos do mesmo"..

vou te falar que os de antes ainda são melhores.. "wasting light" não traz nada de novo, nada de surpreendente, nenhuma faixa com clima de surpresa boa ou com potencial para hit.. se tocar em novela ou entrar no rádio é merito de lobby de gravadora.. ok, a faixa "dear rosemary", numa levada meio raconteurs, pode até agradar alguns programadores de rádio que nunca ouviram falar em ramones.

no discurso anti-balada, tem ainda uma escolha mais "sujona", mais pesada, mais gritaria.. a faixa "white limo", que lembra bem um tanto da zanga de mike patton e o faith no more.. fala sério, sem novidade.. até parece mais uma vontade de apontar o dedo médio com força pro mercado, gravadora e mais um tanto de gente.. sei lá.. pelo menos dave grohl teve a ótima sacada de colocar a lenda lemmy kilmister (líder do motorhead) pra pilotar a limousine no clipe da faixa.. uma homenagem a um dos maiores ícones do rock e speed metal.

enfim, o recado é: "ô dave! desculpa, nego, mas num tá bom não.. better luck next time".. nada no disco soa tão interessante quanto os trabalhos anteriores, mesmo aqueles mais pops.. sorry, a conta de luz dessa vez vai doer no bolso.

pra não perder o espaço aqui então, tô preferindo é lembrar um dos hits antigos, bem mais interessante do que o material novo, e curiosamente a música que mais me pedem pra tocar nas rodas de violão da turma de crisma.. além de "666, the number of the beast", do iron maiden, claaaro..

foo fighters
(everlong)

vai ouvindo..

well, nem tudo está perdido no reino do orelhão.. melhor ainda para os viciados em cotonete.. se o foo fighters perdeu a chance de disparar o botão "curti" no novo trabalho, o r.e.m. por outro lado ajuda coleguinha a abrir sorriso de orelha à orelha.. (nem preciso dizer que também já tá lá na internet, certo?)

não que chegue a ser ultra surpreendente, não é de arrancar interjeições eufóricas ou gritos de "diabos, nunca ouvi nada igual!".. afinal é o r.e.m., soa r.e.m., mas dá aquele gosto doce de uma boa coisa nova pra se ouvir e um sorrisinho maroto de canto de boca.

o nome do álbum é "collapse into now", saiu no começo de março e é o 15º disco de estúdio dessa turminha de athens (georgia - eua).. e no ano em que os caras completam 30 primaveras desde o primeiro lançamento (o single "radio free europe" - clica aí no nome pra ir ouvindo enquanto lê essa bagaça)..

well, o trabalho todo é um convite aos ouvidos mais atentos.. parece um apanhado do que o grupo já fez de melhor, tem pra todas as vibes.. mais speed, meio ácido, as tradicionais e boas baladas cadenciadas de michael stipe, as viagens de cordas sempre interessantes de peter buck, até um revival de levadas mais com cara do r.e.m. dos anos 80, enfim, pacote completo, titio.. como se não bastasse, os caras ainda recheiam o tímpano com participações de eddie vedder do pearl jam (na música "it happened today"), patti smith (na faixa-derrete-no-domingo-à-noite "blue") e peaches (em "alligator aviator autopilot antimatter").. well, em minha mongol opinião, "collapse into now" vale do leme ao pontal..

pra não dar muito tempo pro ouvinte se questionar demais ou tergiversar (palavra preferida da dilma nos debates da eleição presidencial.. boa, não?), o disco já começa a explicar à que veio com a faixa "discoverer".. aí a música termina, você faz aquele bico do tipo "ééémm.." e, UEEEEBA!!!.. toma um tranco no ombro.. esquenta não, é só a abertura de "all the best", pra manter o pé batendo um pouco mais forte.. um dos destaques radiofônicos (que também vai ilustrar abaixo este post do nosso delirante blog) é a faixa "überlin" (ganhou inclusive dois clipes diferentes no canal oficial) e faz homenagem, obviamente, à berlim, que também sediou algumas sessões de gravação desse álbum (o grupo gravou ainda em nashville e new orleans)..

aqui a gente mostra a opção mais "gráfica" tipo mapa de estação de metrô, muito do agrado do conselho fast lane.. o outro clipe, com um sujeito marmota dançando todo-sou-doidão, levou bomba.. mas o serviço de inutilidade pública me obriga a disponibilizar o link.. então, basta clicar aqui.

enfim, se o r.e.m. não faz sua cabeça, até que você chegou bem longe neste texto, hã? mas se faz, já valeu o serviço "te dou um dado".. boa opção pra você presentear o seu otorrinolaringologista.

r.e.m.
(überlin)

4 de abril de 2011

wherever, wherever..

quite strange to live by fortuity, even the taste for the unknown.
feeling the hands off the wheel just run against my nature.
give it to one of these days.. one of these days..
who knows?

"..fly to carry each his burden
we are young despite the years we are concern
we are hope despite de times
all of the sudden, these days.."

r.e.m.
(these days)

2 de abril de 2011

talk 'bout..

inspiração "sonoro-zeitgeistiana"..
(sem música não dá, né?)

thievery corporation - feat. perry farrell
(revolution solution)

1 de abril de 2011

ah, duvido..

seja por defeito de fábrica ou sequela da vida moderna, fato é que sou chegado numa teoria da conspiração.. quem me conhece um pouco mais, sabe disso.. o tanto que sou desconfiado das coisas.. questiono um monte, desconfio mesmo.. até de mim eu desconfio.. e frequentemente.. mas também, quem é que confia em um chocólatra? fala sério, só se for doido..

chocólatra é um ser capaz de chegar num parque e convencer uma criança de 5 anos a ir buscar um playmobil mágico atrás da outra árvore, só pra roubar o chocolate dela.. se for kit kat então, batata.. jamais confie neste espécime.. são capazes de coisas impressionantes, mais perigosos do que a máfia dos aposentados do dominó..

mas tô fugindo do assunto aqui.. o lance é a teoria da conspiração.. tem um sujeito, um americano chamado peter joseph, que não engole um bocado de conversa fiada que despejam pra gente todos os dias.. resolveu então produzir uma série de documentários pra enfiar todas estas desconfianças na sua goela. o nome do projeto é zeitgeist (pronuncia-se tipo "záitgáist").. um termo alemão que quer dizer mais ou menos "o espírito de uma era", mais no sentido de "consciência" de uma era. são três filmes, que questionam bases importantes do nosso atual modelo de sociedade: os mitos que a igreja criou sobre jesus cristo, o atentado de 11 de setembro em nova york, a influência dos grandes bancos mundias na fomentação das guerras, o modelo financeiro mundial, por aí vai.. basicamente ele te explica todas as mentiras sociais que se tornam comuns pra todos nós, mas que existem por um único motivo: controle.

e é realmente impressionante. se você não é daqueles que correm lá na outra árvore atrás do playmobil mágico, vai se encafifar com as questões levantadas nestes filmes... well, lá está você com sua bacia de pipoca no colo, assistindo tranquilamente o filme e BAAAAAM!.. leva um tapão, pipoca voa até pra dentro do lustre..

vou logo avisando, não é fácil.. eu já estou há quatro dias sem pentear o cabelo pro lado por causa disso.. também não consigo mais falar o meu nome.. as pessoas perguntam meu nome na rua e eu faço sinal de jóia.. não me pergunte porquê, só sei que foi assim. bloqueio, tilt, sei lá.

quer mais? zeitgeist vai além dos 3 filmes.. virou um movimento.. o cara não fica apenas apontando o dedo, ele propõe soluções, tornou-se um braço de um grupo chamado venus project e essa turma sugere umas mudanças no formato social como um todo. enfim, não vou ficar aqui contando se o mocinho morre no final.. se este assunto te interessa e você não tem apego à pipoca, vai lá no site criado pelo titio (http://www.zeitgeistmovie.com), você baixa os filmes de graça e tira suas próprias conclusões.. e depois me conta que tipo de defeito que você teve, ok?