passou um pouquinho da meia noite, mas meu fuso maluco ainda me aponta como sendo dia 26 de maio... e a insistência em parar o relógio tem um motivo: neste bendito 26 de maio, só que de 1969, john lennon e seu gremlinzinho nipônico yoko ono começavam sua segunda maratona na cama (não estou falando de treinos livres!), como forma de protesto em favor da paz. um tipo de "b&b" pra reclamar da guerra do vietnan.
na verdade a primeira incursão no embolar de lençóis (no bom sentido, claro), aconteceu em amsterdam no dia 20 de março, logo quando john e yoko se casaram. os dois aproveitaram o barulho que o acontecimento causava na mídia e resolveram usar a lua de mel, durante duas semanas, pra atrair atenção ao protesto. aí, dois meses depois, a dupla decidiu fazer o "evento-performance-protesto" novamente em nova york, mas o tio sam negou visto a lennon por causa de seu antigo embate marijuana x justiça americana. e o cara tava todo esculachado mesmo, de barbão matuzalém, irritava um monte de puristas em nova york...
anyway, depois de um pulo nas bahamas (era mto quente para o ex-beatle), o casal debandou pra montreal e no friozinho canadense começou o segundo round do bed-in for peace semanal, numa suíte do queen elizabeth hotel. e em meio ao amontoado de gente que circulava pela "instalação", entre eles timothy "lsd" leary, um rabino, um papagaio e um krishna, nasceu "give peace a chance", grande sucesso de lennon, creditado como the plastic ono band.
vou lhe ser bem sincero, acho essa música pentelhinha, apesar de seus méritos ideológicos. neste caso, então, o post ganha "fotinha"... sem áudio, ok? em tempos de mexe-com-a-coréia-do-norte-pra-ver-se-o-mundo-não-acaba, tá aí uma data bem oportuna de ser lembrada.
tudo bem, não é de hoje que a cena indie é formada por nerds & geeks & nice guitar riddims... falta groove, falta pressão, mas convenhamos que o indie tem seu lugar ao sol. e é uma cena que não pára de germinar novos frutos.
curioso é perceber que esse gueto vai se renovando, mas pouca coisa consegue longevidade. é igual pernilongo, se deixar água parada em poucos dias o lugar fica infestado. entretanto, tira a comida e em poucos dias tá tudo morto.
impertinências à parte, destaque pra uma molecada do crouch end londrino, batizada de bombay bicycle club. indie rock leve a azeitado, bom registro de voz do lead vocal jack steadman, com direito a todos os tiques e trimiliques dos heróis que marcam influência em sua música... parece uma reunião de amiguinhos do clube de leitura de quadrinhos do calvin. mas quebrando o silêncio da biblioteca com uma boa música.
também conhecida pelos fãs pela óbvia sigla britânica "bbc", essa molecada faturou o "road to v", competição que dá direito a tocar no já tradicional festival do verão inglês organizado pela megatrade gravadora, loja de discos e fábrica de foguetes virgin: o "v festival".
enfim, no vídeo abaixo não aparece a performance da banda, afinal as gravadoras agora ficam amarrando vídeos do youtube, mas se o som te interessar é só ir atrás do myspace dos caras pra ver o vocalista trimiliquento em ação. ainda cheira a talco johnson, muita crise de espinha e ebulição de testosterona pra lidar, mas tem coisas agradáveis aos ouvidos.
inaugurada mais uma seção do blog... aqui vc vai poder conferir algumas das frases e pensamentos que vão formar a enciclopédia eletrônica mais freak da internet...
pra começar os trabalhos então, uma pérola que ouvi recentemente, do narrador rogério corrêa, da globo minas, durante a transmissão de um jogo do galo:
"a somatória de um erro mais outro erro é igual a dois."
sim, minha teoria estava correta. sou perseguido por motoristas murrinhentos em honda civic. eles estão por aí, every-fckng-where, à espreita, só esperando eu tirar meu carro da garagem... levei um tempo pra acreditar, achava que era apenas mais uma teoria de bruxas, mas fui tomado pela razão dos fatos.
não sei se acontece com vc, amigo leitor, mas é curioso... sabe aquela onda de vc pensar em um carro específico, de cor específica, modelo específico, e de repente vc passa a ver uma porrada deles na rua? vc nunca tinha reparado muito e de repente eles estão em toda parte... é assim comigo agora, no caso do honda civic. eles param no meio da rua, andam 3 quilômetros na primeira marcha, passam a segunda marcha só pra pular pra faixa da esquerda e empatar o fluxo numa avenida expressa... e olha que a maioria tem câmbio automático... sim, eles estão por aí, principalmente os prateados, sneaking around... alguns até sem insufilme nos vidros, pra vc poder ver bem a cara do piloto ás-no-volante.
e pra ninguém achar que é mero delírio meu, ou mais um dos delírios, pra ser mais justo, decidi iniciar uma campanha aqui no blog. vou acompanhar durante um período essa perseguição de honda civic pilotado por murrinhas, registrando fotograficamente as barbeiragens, sandices e abusos escandalosos no trânsito belorizontino (i.e. na minha frente). em breve vou poder provar minha teoria aqui no blog. e tome cuidado, vc tb pode virar uma vítima dos motoristas de civic. se cruzar seu caminho com algum desta espécime, finja que não reparou. ou eles podem escolher vc tb. watch out.
festival de cenas curtas. na verdade o breve relato de um drama-comédia-pastelão, desses que vc presencia num dia qualquer desse ano do senhor. mas aconteceu comigo. é que hoje eu saía do banco quando dei de frente com uma típica cena de um casal discutindo no meio da calçada. impressionante, uma gritaria em alto e bom som, sem p.a., sem amplificador, precisa ver a potência vocal desse casal. mas como diria a pirelli, potência não é nada sem controle.
anyway, não sou muito daquelas pessoas curiosas que gostam de parar pra ver acidentes, então simplesmente passei batido pela tourada, não pude entender mto bem o motivo da querela. por outro lado a cabeça é bem adubada, aí o filme tomou conta de meus pensamentos durante os intermináveis momentos do trânsito murrinha da savassi, montando na cabeça qual teria sido o diálogo daquela cena.
virou uma coisa meio veríssimo, meio comédia da vida privada, decidi que as personagens chamavam eleonor e alfredo. típicas discussões de casal de classe média, invariavelmente brigando por bobagens domésticas. e pelo que pude perceber, dado o nível da histeria, hoje foi o limite da paciência de eleonor, afinal de contas, alfredo é um cabra mto do encostado. mas vamos aos fatos...
eleonor é daquelas figuras sistemáticas, total xiita quando se trata de arrumação da casa. tem uma métrica própria para a colocação de cada objeto dentro do sagrado lar, tudo minuciosamente organizado segundo seus próprios padrões abnt. claro que isso vira uma neurose, ela é capaz de perceber que determinado imã de geladeira está alguns poucos milímetros fora do lugar... aí vira uma novela, ela chora, pede ajuda pra uma porrada de santo, excomunga o alfredo e passa todo o tempo da novela das oito reclamando que não recebe o devido respeito, que não aguenta mais limpar aquele pardieiro que o alfredo chama de casa.
aí vc imagina o inferno que tal regime nazista vira pra alfredo, justo ele, bonachão, praticamente um são bernardo de calças desabotoadas pra aliviar a pressão da saliente barriga de cerveja.. e tudo o que ele queria era jogar seu strip poker no computador tranquilamente, já que a patroa proibiu o maridão de encontrar os amigos no bar do salomão. mas ela já sabia bem no que ia dar aquela escapadinha noturna: alfredo ia sentar no buteco com os cumpadres, encher o pandú de cachaça-com-cerveja-preta-com-isca-de-fígado-acebolado, ia assistir o galo tomar um sacode do time da mesbla, voltar pra casa tonto e deprimido, desabar na cama, babar a noite toda e virar um ruidoso sachê de álcool zulu pra completar de vez a insônia de eleonor.
enfim, até me perdi no real motivo desse nosso relato... a tal briga do casal... mas o sinal abriu, um taxista fechou o cruzamento na maior cara de pau, logo à frente a tiazinha do honda civic descobriu naquele momento de deveria sair da pista da esquerda e ir para o lado oposto, pra piorar o infeliz boy-maconha ao lado resolveu só de birra fechar o acesso da tiazinha e aí azedou o caldo de vez (ah, descobri naquele momento que sou perseguido por motoristas murrinhas em honda civic)... enfiei a mão na buzina, despejei um pouco do meu vernáculo de agrados de baixo calão, joguei metade do meu jeep em cima da calçada e consegui desviar dessa "nhaca" de carros travados desse trânsito mega murrinha da savassi... que só ia desembolar depois que o puto do taxista liberasse o cruzamento... nada como um carro alto... na passagem eu olhei bem pra cara do taxista aloprado e lembrei na hora do saudoso defalla, que esculachava em uma de suas músicas o famoso recado: "caminha, que aqui é de osasco"... aí até me esqueci que um dia alfredo e eleonor passaram pela minha vida... aumentei o volume do rádio e toquei o jeep rumo ao QG da serra, nesse slow ride belorizontino...
tudo bem, esse título obviamente remete logo ao megahit funk das pistas, do pessoal do wild cherry. o curioso sobre essa música é que na verdade a banda, de branquelos, inicialmente tocava rock. o problema é que eles viviam no meio da revolução disco, o lance era chacoalhar o esqueleto nas pistas sobre um salto plataforma, ou patins de 4 rodas, naquele "shake that booty" social que a música black causava na época, idos dos anos 70. o wild cherry subia ao palco pra mandar seu rock, neguinho achava que tava abafando no delírio de guitarras e a platéia pedia pra tocar funk... well, well... de tanto que neguinho gritava o tradicional "toca raul", os caras decidiram tirar uma onda e explorar a praia do groove... e disso nasceu o clássico "play that funky music, white boy". na verdade o único grande hit que os caras conseguiram nessa aventura funk...
mas vamos pular esse devaneio porque eu tava querendo falar de outra coisa... a inspiração funk-ariana do título é por causa de outra banda... tô falando de uma turma chamada "the whitest boy alive". branquelão mandando bem, cool sound, just to the point. e a receita do maravilhoso mundo de ofélia não é tão extraordinária assim. but it works though. vai no básico que (bem feito) não tem erro. tô falando de um indie rock bem apresentado, sem maquiagem, sem perucão-emo-gosmento escorrendo na cara. sem frescura, sem inventar moda. sem agredir, sem ser zuerento. straightforward. e muito bom.
esse indie branco-mais-branco nasceu em 2003 com uma rapaziada na alemanha, uma turma de geeks que se juntou em berlim, dissidentes de praias diferentes, sobretudo da cena eletrônica. mas o resultado é extremamente agradável aos ouvidos. destaque para um camarada chamado erlend öye (seja lá como se pronuncia esse sobrenome de interjeição-tremenda-dúvida), que leva os vocais e as guitarras no whitest boy alive. esse sujeito era uma das metades do grupo norueguês kings of convenience, mas mergulhou na carreira solo depois que seu parceiro, a outra parte da dupla, resolveu abandonar a música pra se dedicar aos estudos em psicologia. erlend então mergulhou na cena eletrônica, participando de diversos projetos, como o röyksopp. mas apesar do gosto pelas pickups e sons de computador, erlend öye também se amarra na boa e velha receita de banda completa com instrumentos. e numa destas "brincadeiras" nasceu o whitest boy alive.
os caras levam um som tranquilo, as guitarras de erlend aparecem sem incomodar, levadas suaves e hipnotizantes, tempero minimalista de baixo, bateria, guitarra e sintetizador na medida exata pra fazer a trilha sonora de um domingo de inverno, vc engata a quinta numa estrada ensolarada, aumenta o volume, deixa o vento bater na cara e tenta resistir à vontade de estalar os dedos acompanhando a música.
destaque para as faixas "golden cage" e "burning" do primeiro disco oficial dos caras, "dreams", lançado em 2006. pode ir sem medo, é uma ótima pedida para aqueles momentos que vc quer uma musguinha pra ficar numa tranquila, numa relax, numa boa.
ah, destaque também para o delírio idiótico do clipe da música "golden cage"... viagem garantida...