festival de cenas curtas. na verdade o breve relato de um drama-comédia-pastelão, desses que vc presencia num dia qualquer desse ano do senhor. mas aconteceu comigo. é que hoje eu saía do banco quando dei de frente com uma típica cena de um casal discutindo no meio da calçada. impressionante, uma gritaria em alto e bom som, sem p.a., sem amplificador, precisa ver a potência vocal desse casal. mas como diria a pirelli, potência não é nada sem controle.
anyway, não sou muito daquelas pessoas curiosas que gostam de parar pra ver acidentes, então simplesmente passei batido pela tourada, não pude entender mto bem o motivo da querela. por outro lado a cabeça é bem adubada, aí o filme tomou conta de meus pensamentos durante os intermináveis momentos do trânsito murrinha da savassi, montando na cabeça qual teria sido o diálogo daquela cena.
virou uma coisa meio veríssimo, meio comédia da vida privada, decidi que as personagens chamavam eleonor e alfredo. típicas discussões de casal de classe média, invariavelmente brigando por bobagens domésticas. e pelo que pude perceber, dado o nível da histeria, hoje foi o limite da paciência de eleonor, afinal de contas, alfredo é um cabra mto do encostado. mas vamos aos fatos...
eleonor é daquelas figuras sistemáticas, total xiita quando se trata de arrumação da casa. tem uma métrica própria para a colocação de cada objeto dentro do sagrado lar, tudo minuciosamente organizado segundo seus próprios padrões abnt. claro que isso vira uma neurose, ela é capaz de perceber que determinado imã de geladeira está alguns poucos milímetros fora do lugar... aí vira uma novela, ela chora, pede ajuda pra uma porrada de santo, excomunga o alfredo e passa todo o tempo da novela das oito reclamando que não recebe o devido respeito, que não aguenta mais limpar aquele pardieiro que o alfredo chama de casa.
aí vc imagina o inferno que tal regime nazista vira pra alfredo, justo ele, bonachão, praticamente um são bernardo de calças desabotoadas pra aliviar a pressão da saliente barriga de cerveja.. e tudo o que ele queria era jogar seu strip poker no computador tranquilamente, já que a patroa proibiu o maridão de encontrar os amigos no bar do salomão. mas ela já sabia bem no que ia dar aquela escapadinha noturna: alfredo ia sentar no buteco com os cumpadres, encher o pandú de cachaça-com-cerveja-preta-com-isca-de-fígado-acebolado, ia assistir o galo tomar um sacode do time da mesbla, voltar pra casa tonto e deprimido, desabar na cama, babar a noite toda e virar um ruidoso sachê de álcool zulu pra completar de vez a insônia de eleonor.
enfim, até me perdi no real motivo desse nosso relato... a tal briga do casal... mas o sinal abriu, um taxista fechou o cruzamento na maior cara de pau, logo à frente a tiazinha do honda civic descobriu naquele momento de deveria sair da pista da esquerda e ir para o lado oposto, pra piorar o infeliz boy-maconha ao lado resolveu só de birra fechar o acesso da tiazinha e aí azedou o caldo de vez (ah, descobri naquele momento que sou perseguido por motoristas murrinhas em honda civic)... enfiei a mão na buzina, despejei um pouco do meu vernáculo de agrados de baixo calão, joguei metade do meu jeep em cima da calçada e consegui desviar dessa "nhaca" de carros travados desse trânsito mega murrinha da savassi... que só ia desembolar depois que o puto do taxista liberasse o cruzamento... nada como um carro alto... na passagem eu olhei bem pra cara do taxista aloprado e lembrei na hora do saudoso defalla, que esculachava em uma de suas músicas o famoso recado: "caminha, que aqui é de osasco"... aí até me esqueci que um dia alfredo e eleonor passaram pela minha vida... aumentei o volume do rádio e toquei o jeep rumo ao QG da serra, nesse slow ride belorizontino...
defalla
"slow ride"
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