o problema, no fim das contas, é que isso acaba sendo ruim para os dois lados. e sabe porque? porque existe uma porcaria de uma entidade chamada fenaj (a federação nacional da categoria). e porque os cursos de jornalismo nesse país são realmente tão medíocres que muitas vezes deixam de atrair alunos.
é óbvio que a classe de jornalistas (formados) fica inconformada, porque soa como uma afronta ao seu empenho universitário pela qualificação. de uma certa maneira infelizmente é. mas isso também pode ser muito mais como reação patronal do que prejuízo. o bom jornalista, que tem isso de verdade na veia, não tem que se preocupar, pois esse não perde vaga. gente ruim não dura muito tempo na cadeira. agora, o jornalista quéim-quéim... well... esse já deveria ter procurado outra atividade há muito tempo, porque é esse tipo que faz o mercado de trabalho achatar salários e perder força.
eu mesmo, em recente experiência coordenando equipe de jornalismo, vi passar pelos testes e equipes muita gente recém-formada e absolutamente despreparada para a profissão.. jornalista formado que não sabe escrever é o fim da picada. é o mesmo que cirurgião com medo de sangue. decorar regrinha de texto também não é sinônimo de bom profissional. escrever é uma coisa natural... pode até ser estimulada em um curso, mas não é certeza de sucesso e nem de excelência em escrita. seguir regrinha de lead é fácil, e por isso tem um monte de pastel escrevendo pra novas mídias, ou pra rádio, como se escreveria pra jornal. falta noção de tipos de linguagem pra tipos de mídias. fica tudo com a mesma cara.
aprender a cadência da locução de repórter de televisão (soa tudo igual) também é fácil... copy e paste é mais fácil ainda. e quantas pessoas (não formadas e muito mais capacitadas como jornalista) estão aí no mercado, muitas vezes com impedimentos sindicais de categorização de atividade profissional, privados de melhores salários por conta de obrigatoriedade de diploma... é esquizofrênico.
há anos o mercado já está cheio de jornalistas não diplomados e bem sucedidos. quer exemplos? easy... paulo lima, dono da revista trip, já atuou em outras revistas antes de criar a própria, faz programa em rádios há "milanos", escreve como poucos e não é jornalista, é advogado. fernando costa netto, foi repórter e diretor de redação da revista trip (com matérias sensacionais e um texto invejável), editor das revistas mais legais de são paulo, foi editor-chefe do jornal notícias populares do grupo folha de são paulo e não tinha diploma. os textos, reportagens, pautas e trabalhos que "dandão" fez em sua carreira, podem causar até arrepios de vergonha nesse povo da fenaj, por exemplo. até a guerra da bósnia o cara cobriu... isso só pra citar duas das figuras que eu mais respeito no mercado de jornalismo.
e péra lá... alegar que por derrubar obrigação de diploma o mercado fica refém de jornalista sem ética ou compromisso com a informação é hipocrisia. ele já está abarrotado deles, diplomados. saíndo pelo ladrão. ética não se aprende em universidade. índole vem do berço.
engana-se ainda quem discursa alegando que isso significa o fim do curso de jornalismo em universidades. se a coisa vai mal, é por mérito das próprias universidades que, preocupadas com dispositivos de controle de qualidade e pontuação tipo enade e delírios do tipo, afrouxam as rédeas pra não ter reprovação. e pra não perder aluno para os concorrentes, já que não param de pipocar novas universidades no país, com qualidade duvidosa. até os cursos das federais (sem mensalidade!!!) perdem espaço hoje para as particulares, onde é mais fácil passar. resultado: todo ano o mercado recebe uma alanche de jornalistas absolutamente despreparados, que vão fazer dinheiro em espaços de fofoca e bastidores de showbusiness.
em publicidade, por exemplo, o mercado nunca colocou essa condição, o país possui grandes profissionais e agências de nível internacional e o número de candidatos nos vestibulares para o curso de propaganda ainda é dos mais expressivos. então acho que é hora de cortar o chororô e saber pra onde mirar a porradaria.
a categoria deveria se unir mesmo é pra lutar por melhorias nos cursos, exames mais rigorosos, formação mais apurada e qualificada. porque o "formado" chega ao mercado e descobre que a realidade é bem diferente do que ele via em sala de aula. é assim que se nivela o mercado profissional pra cima, valorizando o diploma, a categoria e os salários. e o resultado final que é o bom jornalismo.
a fenaj, com um bando de gente à toa, grita porque perde poder político. assim como a força pra usar a emissão de carteiras profissionais e internacionais de jornalista como moeda de troca. às vezes é preciso um chacolhão desses pra que as coisas mudem, pra que alguém faça diferente. os jornalistas deveriam se unir pra discutir mudanças na formação e não pra reforçar o muro em volta de casa. chora é quem não se garante.
acho tudo isso ruim para os dois lados, porque o empresariado também pode aproveitar a brecha pra baixar pisos salariais, chantageando os bons profissionais com o tamanho da fila de desempregados lá fora. ruim, porque cria um ranso dentro do próprio mercado, com profissionais gabaritados e sem diploma que passam ao papel de lobo mau. e o mercado de jornalismo continua apontando o modelo de falar de desgraça, sensacionalismo, colocar gente chorando no jornal das 8 e cavucar vida de artistas. o restante, com ou sem diploma, continua amargando falta de espaço, de veículos e, principalmente, falta de conteúdo com bom jornalismo.
dear lord, que país é esse...
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