20 de agosto de 2008

rearviewmirror...

olhar pueril... qto tempo faz que vc não se pega sentindo isso? qto tempo faz que vc não olha as coisas ao redor sem um filtro pré-determinado pelas convenções normais da rotina diária, pelo senso comum... uma cadeira pode não ser mais uma simples cadeira... se vc não soubesse o que era uma cadeira, como seria sua leitura disso?

aldous huxley já questionou, lá na década de 50, o filtro destas percepções. para ele o estado "limpo" de percepção só poderia ser alcançado por hipnose, "transe" religioso ou efeito de drogas (no caso dele a mescalina). aí sim seria possível uma visão desprendida de regras convencionais... uma visão pueril, sem fronteiras...

em meu recente exercício de entender o que se passa na cabeça do jovem de hoje (por conta de uma matéria encomendada sobre o assunto) uma pergunta tem me martelado: o que era considerado normal e descolado pela minha geração e o que é pra de hoje? exercício curioso... olhar pro meu próprio passado, analisar o que era simples delírio de adolescente - por mais que eu tivesse plena convicção na época -, e hoje pode ser questionável. tendências à parte, modismos à parte, delírios à parte, uma coisa me chama mto a atenção. engajamento de hoje é sobre a balada eletrônica que é mais "cool"... a droga que é mais cool... a turma que é mais cool... a atitude que é mais cool...

não que as buscas por novas referências do jovem atual sejam uma atitude mto diferente da minha época, o que me chama mais a atenção é o tamanho da alienação que existe hoje para o senso coletivo. como os próprios noticiários mostram que nada acontece pra quem faz merda, porque eu deveria me preocupar com as consequências de meus atos à terceiros? basicamente é isso que dita o comportamento moderno. deixa eu cuidar de mim. e cada um por si. lema de mosqueteiros é coisa de filme da minha avó. pára com isso...

acho a violência urbana um problema, mas minha turma do jiu-jitsu quebrou um carinha de porrada semana passada porque ele olhou pro meu sapato... veja só vc que afronta... ouço música eletrônica porque é mais fácil, não preciso decorar os 147 minutos da letra de faroeste caboclo pra ser cool...

exercício curioso esse de olhar pro retrovisor... será que estou sendo protecionista e complacente com meu passado? será que eu tb era tão "imbecilizado" assim? a gente tende a achar que não, e até prefere achar que não, mas realmente fiquei na dúvida. a gente era tão imbecil assim na idade de ser imbecil?

o que fica ecoando na minha cabeça é o tanto que era permitido, ou moralmente aceitável, sem parecer imbecil. escândalo hoje é o que? desfilar no ensaio da escola de samba sem calcinha não é mais escândalo. roubar milhões dos cofres públicos não é mais escândalo... aliás, conta uma novidade... nem ser pego em bafômetro hoje vira escândalo. as convenções sociais estão perdendo o sinal vermelho. "regras" de convívio perdem o sentido, viram coisa de careta. fidelidade, ética, honestidade já possuem fronteiras mais flexíveis. a vida segue, a fila anda, preocupar com o quê? e aí olhar pro retrovisor pra quê? diz aí... moralismo é sim coisa do passado. vai virar tema de escola pra aquela aula chata de estudos sociais. eita.

rearviewmirror
(pearl jam)

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